O projeto nacional da nossa classe: a Pátria Galega, o Socialismo e o Feminismo!

Diante do Dia da Pátria, que cada ano serve para avaliarmos a conjuntura galega e mundial, o nosso coletivo, Galiza em Rede, quer compartilhar a sua análise com o conjunto do povo trabalhador galego.

1. A última grande crise capitalista, que golpeu o centro do sistema há umha década, deixou como legado, além da precarizaçom e pauperizaçom da classe trabalhadora, a disputa entre as burguesias das principais potências imperialistas, que afrontam divididas a dificuldade para retomar a lucratividade dos seus negócios.

Reforça-se o protecionismo, repregam-se as próprias fronteiras e declara-se a guerra comercial. Confirma-se desse modo a vigência das estruturas estatais, ao serviço dos diferentes capitais nacionais na disputa do mercado mundial. Isso explica que cheguem aos governos de vários estados os representantes mais extremistas do grande capital, incrementando a xenofobia e a ameaça de umha verdadeira guerra mundial.

As guerras regionais polo espólio de recursos, a deterioraçom das condiçons de vida da classe trabalhadora e o fim das ilusons das “classes médias” som mostras das dificuldades a que aludimos, à espera de que umha nova crise complique ainda mais o cenário mundial.

2. Diante de umha situaçom tam grave, de ofensiva imperialista a nível global, de guerras regionais e aumento imediato do gasto militar, a esquerda continua sumida na derrota que arrasta há meio século, desde a crise dos 70, e que foi certificada sobretodo a partir do fim do bloco soviético.

A incorporaçom da maior parte da antiga esquerda revolucionária ao sistema que antes combatia trouxo como conseqüência a descrença das massas, que perdêrom qualquer perspectiva de superaçom do capitalismo. Na atualidade, nem sequer na América Latina, onde se viveu umha onda progressista de mais de umha década, chegou a pôr-se em risco a continuidade do capitalismo, mantendo-se Cuba mais ilha que nunca e perigando, sob ameaça militar ianque, a continuidade do processo bolivariano na Venezuela.

3. No caso da Galiza, naçom oprimida da Europa Ocidental, a situaçom nom é diferente à do resto do continente, a nom ser polas características particulares de umha economia dependente em maos de umha burguesia traidora, entregada aos seus sócios maiores, espanhóis e europeus. A intensa exploraçom laboral, o espólio de recursos por parte de umha minoria e o endividamento financeiro sem fim caracterizam a situaçom de um país incapaz, nas atuais condiçons, de exercer a mais mínima soberania em favor da maioria.

Instalada na sua posiçom subsidiária na maior parte dos setores económicos, a burguesia galega nunca assumiu o seu compromisso nacional e está totalmente integrada no projeto mercantil espanhol. Na dinámica do capitalismo europeu e mundial, a Galiza perde peso como formaçom social, tanto a nível demográfico, como económico, político, cultural e lingüístico. É isso, e nom os resultados eleitorais, que explica a sua exclusom dos “debates sobre a reforma do Estado”. Umha reforma que, se chegar, seguramente trará mais centralismo espanholista e a mesma submissom que sempre caracterizou a desnacionalizada burguesia galega.

4. A crise do regime espanhol da segunda restauraçom bourbónica, além da deterioraçom dos direitos da classe trabalhadora a que já assistimos, ameaça com degenerar numha recentralizaçom e umha intensificaçom repressiva contra os movimentos populares e nacionais. A reconfiguraçom das forças políticas, a reacionária ofensiva judicial e o discurso mediático dominante som provas dessa tendência.

A Catalunha, único território onde se verificou umha significativa resistência aos planos reacionários do grande capital espanhol, é também umha amostra do escasso papel que a história reserva já às pequenas burguesias como protagonistas inesperados das revoltas sociais. A dramática falta de liderança da classe trabalhadora catalá organizada impediu até hoje o êxito daquele processo independentista. Só umha irrupçom do proletariado catalám à frente de um novo levantamento das massas poderá reabrir as expetativas para a libertaçom nacional.

5. A esquerda participa na Galiza da mesma crise de identidade que afeta a classe trabalhadora em todo o mundo, com posiçons de derrota subjetiva e integraçom sistémica. Apesar da inegável capacidade de mobilizaçom em vários setores (sindical, feminista, ambientalista, em defesa da saúde e do ensino público, etc), falta afirmar politicamente as legítimas aspiraçons da classe, que até hoje se dilui em posiçons democratistas, social-democratas e pós-modernas.

As militantes comunistas e soberanistas nom ficamos fora dessa crítica, pois refletimos umha dispersom de forças que favorece a estabilidade do sistema. Nom servem as autoproclamaçons, quando os factos mostram umha inocultável incapacidade política.

O nosso coletivo, Galiza em Rede, é só mais um agrupamento entre os identificados como independentistas e comunistas no nosso país. Sabemos quais som as nossas carências como parte de umha classe que precisa de consciência e de organizaçom. É a partir dessa evidência que aspiramos a contribuir para a superaçom coletiva dessas e doutras falhas, das quais somos co-responsáveis.

Com disponibilidade para a colaboraçom com outras camaradas e companheiros, participamos em diferentes expressons do movimento popular galego (sindical, cultural, feminista, juvenil, etc), apoiando todo o tipo de mobilizaçom e iniciativa popular, como as que se venhem produzindo em defesa da vivenda, por um ensino em galego, contra a repressom ou polo direito a umha informaçom popular e comunitária. Sem descuidar todas essas luitas, consideramos necessário avançar na construçom da ferramenta política que as unifique no programa revolucionário que a Galiza necessita.

6. Como comunistas, defendemos os direitos democráticos, mas nom aspiramos a “melhorar” o capitalismo. Ainda que luitemos polos direitos laborais e sociais, sabemos que qualquer conquista será parcial até a conquista do poder pola nossa classe. Cada luita concreta deve integrar um programa global para acabar com a nossa dependência nacional, combatendo o submetimento da mulher e as restantes opressons. Para isso, é imprescindível assumir a aboliçom da exploraçom económica das trabalhadoras e trabalhadores como tarefa central.

Como parte da nova dinámica que a recomposiçom da esquerda soberanista exige, é preciso desterrar toda forma de sectarismo ou vocaçom de “capelinha”. Devemos apoiar todas as luitas justas que, como no resto do mundo, se dam cada dia no nosso país. Com firmes princípios de afirmaçom nacional e compromisso internacionalista, contribuímos para construir e fortalecer as ferramentas de construçom nacional e de classe.

7. Neste Dia da Pátria, toca sairmos às ruas de Compostela para afirmar os nossos direitos nacionais, na perspetiva de conquista da independência e com um programa para a revoluçom socialista. Com esse objetivo, manifestamos o nosso apoio a todas as iniciativas mobilizadoras, patrióticas e de esquerda, que se venhem realizando em muitas localidades da Galiza nas últimas semanas, assi como as convocadas para os dias 24 e 25 de julho em Compostela.

Vivemos tempos de incertezas e ameaças para os povos, em todo o mundo e também na Galiza. Devemos recuperar umha certeza que sempre caracterizou as melhores tradiçons da esquerda: a da possibilidade de umha transformaçom revolucionária da sociedade que, na Galiza, será parte de um projeto de libertaçom nacionalo da Pátria Galega, o Socialismo e o Feminismo!

Galiza em Rede.

Galiza, 25 de julho de 2018

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