Posicionamento de BRIGA a respeito da participaçom dos homens nas mobilizaçons feministas

Um mês depois da histórica jornada do 8 de Março e depois de analisar o momento atual para o feminismo organizado, as mulheres organizadas em BRIGA consideramos necessário fazer explícito o nosso posicionamento a respeito da participaçom dos homens nas mobilizaçons feministas. É por isso que desde a Comissom Nacional da mulher queremos fazer públicas as seguintes consideraçons:

Com o objetivo de esclarecer a posiçom de BRIGA a respeito da participaçom dos homens nas mobilizaçons feministas, a Comissom Nacional de Mulheres da nossa organizaçom acordou debater e clarificar qual deve ser o papel dos nossos companheiros militantes na luita feminista.

Seguindo a linha de posicionamento da nossa tradiçom histórica como corrente, as mulheres de BRIGA mostramo-nos contrárias a dita participaçom. Somos conscientes de que a auto-organizaçom feminista segue a ser um dos piares fundamentais e irrenunciavéis para o movimento feminista. É por isso que, perante o aumento constante da participaçom masculina nestas mobilizaçons, as mulheres de BRIGA consideramos necessário aprofundizar no argumentário contrário a essa participaçom.

Com este documento pretendemos dous objetivos. De umha parte, deixar por escrito quais som as razons que nos levam a manter o posicionamento de defender a nom assistência às mobilizaçons feministas por parte dos nossos companheiros, e pola outra, definir qual deve ser o seu papel dentro da luita feminista.

Em primeiro lugar devemos esclarecer que consideramos umha grave contradiçom defender que o feminismo organizado deve ser um movimento conformado unicamente por mulheres, e que numha das suas máximas expressons políticas, como som as manifestaçons e concentraçons, nom se mantenha o mesmo critério. Ademais, consideramos também que a presença de homens nas mobilizaçons ocasiona:

1.- Que as mulheres deixemos de ser o sujeito político das mesmas, provocando a falsa realidade de que a opressom é comum a toda a sociedade e os responsáveis som só alguns homens de maneira isolada, em vez dum problema de estrutura social, que tem as mulheres como sujeito oprimido e os homens como opressor.

2.- Deixam de ser um espaço de empoderamento e visibilizaçom das mulheres, elemento fundamental dentro da luita feminista. Ademais de que favorecem a já elevada visibilizaçom dos homens, de jeito que a sua participaçom nas mobilizaçons (como acontece em todos os eidos) poida levar associada umha maior recompensa social que a das mulheres, visibilizando-os como heróis.

3.- As manifestaçons tenhem umha importante carga simbólica de combatividade, em que as mulheres devemos ser e sentir-nos protagonistas das mesmas. Ademais de que os intentos de dar-lhe à participaçom masculina nas mobilizaçons feministas um papel secundário nom funcionarom. Sem ir mais longe, a manifestaçom nacional convocada o quatro de março deste ano, em que um dos acordos entre os coletivos convocantes era a ubicaçom dos homens assistentes no final da marcha, fórom outro claro exemplo de que nas mobilizaçons mistas acabam por se dar situaçons que derivam na presença de homens no meio de cortejos na cabeça da manifestaçom e mesmo sostendo bandeiras e faixas.

Somos conscientes de que a nom participaçom dos homens nas mobilizaçons trouxo um imprevisto resultado negativo: o fastamento dos companheiros militantes desta fronte de trabalho ao considerá-la como um ámbito do qual estavam excluídos. O resultado foi umha mistura entre o respeito polos nossos espaços próprios e o desleixo e a comodidade que supom nom ter que abordar umha problemática graças à qual tenhem privilégios a perder por fazer parte do sujeito opressor. É por isto que o segundo objetivo do presente comunicado versa sobre estabelecer o papel dos homens na luita contra o patriarcado, já que defendemos a necessidade de que os militantes homens também amossem um interesse por conhecer qual é o seu papel neste sistema, e agir em conseqüência, nom só na mudança de atitudes e comportamentos, mas também no interesse na formaçom e no conhecimento da realidade que pretendemos mudar.

Portanto, no referente a qual deve ser a participaçom dos companheiros nesta luita achamos importante estabelecer mudanças nalgumhas das dinâmicas que vinham sendo habituais até o de agora. Diferenciaremos dous espaços, o interno e o externo.

No espaço interno contemplam-se três pontos: a formaçom, o desenho de campanhas e de atividades e o trabalho de rua. No referente à formaçom, entendemos que influem dous fatores, o individual, que depende do interesse de cada um/umha por formar-se em determinado tema; e o coletivo, para o qual é fundamental estabelecer espaços de debate mistos nos que se abordem as temáticas feministas de forma específica. Se bem é certo que até o de agora sim havia palestras e seminários que de quando em vez abordavam esta temática, trataria-se de fazê-lo de maneira mais sistemática e regular. No segundo ponto, embora consideremos que som os organismos internos de mulheres os que devem desenhar, programar e mesmo decidir quais som as campanhas e prioridades dentro do campo feminista, devem ser também debatidos e acordados nos organismos coletivos nos que há que fomentar a participaçom, a implicaçom e as achegas dos companheiros. No ponto final, se bem consideramos que tenhem que ser as mulheres militantes as que continuem a realizar o trabalho de rua, isto nom significa que na sua elaboraçom (faixas, cartazes, etc) nom podam e mesmo devam participar os companheiros. Ao igual que militantes que nom fam trabalho diretamente na frente sindical fam faixas para manifestaçons obreiras, militantes homens podem fazer faixas feministas. Assim, consideramos que sempre que as mulheres de BRIGA fagam trabalho feminista do que os homens nom participam (juntanças nom mistas, assistência a mobilizaçons, etc), eles deverám fazer trabalho doutro tipo em redor desta mesma luita, bem seja através de fomaçons, obradoiros ou outras atividades, para evitar assim a “desconexom” com o feminismo da que falávamos antes.

No espaço externo, a sua principal tarefa deve ser a de exercer de altifalantes das reivindicaçons feministas naqueles âmbitos em que as mulheres nom temos influência ou simplesmente nom temos acesso por estar altamente masculinizados.

Devem atuar perante a multidom de comentários e comportamentos machistas que inçam o dia a dia das nossas vidas, tanto no mundo laboral como o da militância ou do ócio e lazer, pois será muito mais efetivo e exemplarizante o toque de atençom dado por outro homem que se é umha mulher quem o fai.

Comissom Nacional da Mulher de Briga

Março de 2018

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